domingo, 17 de outubro de 2010

Estamos no céu...



Talvez nossos resultados ainda não sejam os que gostaríamos, mas pelo menos o nível de nossas avaliações não segue este modelo!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010




Os CBCs e o Conhecimento Escolar

A LDB, entre outras atribuições, determina que a União em conjunto com os estados e municípios, deve definir as diretrizes para a educação que nortearão os currículos e seus conteúdos mínimos. Para tanto, são formulados os PCN – Parâmetros Curriculares Nacionais, que estabelecem os conteúdos a serem trabalhos em sala de aula em todo o país e se constituem como a base para a avaliação da educação nacional.
Em Minas Gerais, no governo Aécio Neves, iniciado em 2002 foram realizadas alterações importantes na forma de organização da educação em Minas. No que tange ao Ensino Público, o documento “Novo Plano Curricular ” (2006) aponta as novas demandas da educação mineira, trazendo as novas necessidades do sistema educacional no estado[i]. Importante para a concretização desse plano, uma mudança foi a reorganização dos currículos desta etapa do ensino básico, por meio dos Conteúdos Básicos Comuns (CBC) que passam a ser implementados, preferencialmente, nas escolas referência.
Neste contexto de novas demandas são configurados os CBC, proposta curricular que orienta os professores mineiros a respeito dos conhecimentos, das habilidades e das competências que os alunos devem adquirir ao final de cada ano letivo, servindo como base para as avaliações que medem a qualidade da educação no estado. Tal como presente neste documento, o estabelecimento desse currículo é uma ‘condição indispensável para o sucesso de todo sistema escolar que pretenda oferecer serviços educacionais de qualidade à população’ (CBC, 2006)
No interior das mudanças instituídas na educação brasileira, se inserem as alterações nos currículos. Surgem os Parâmetros Curriculares Nacionais e, em consonância com esta proposta, o CBC – Conteúdo Básico Comum, no estado de Minas Gerais.
Como suporte aos professores para a implementação desse novo currículo, foi desenvolvido um sistema de apoio que conta com cursos de capacitação e um Centro de Referência Virtual (CRV) (CBC, s/d: 09). De acordo com o texto da proposta curricular, o CBC oferece liberdade aos professores, tanto no que se refere aos temas trabalhados, quanto ao que se refere às formas de abordagem. É importante ressaltar que, mesmo que o documento apresente este tipo de afirmação, o estado se utiliza de diferentes estratégias que visam a plena implementação da proposta, tal como definida no CBC. Podemos tomar como exemplo as próprias avaliações realizadas, com base nos conteúdos do CBC, que servem de base para medir a qualidade da educação no estado.
Fazendo uma leitura mais geral do CBC  é possível afirmar que ele se apresenta como uma proposta bastante sintonizada com o período atual da história, sendo construída no sentido de legitimar e dar continuidade ao mesmo. O discurso utilizado no CBC possui forte consonância com aquilo que vem sendo largamente veiculado acerca do que deve ser concebido como processo de formação humana.
Entretanto, para além do documento confeccionado pelo estado de Minas, o CBC como proposta curricular, deve ser entendido não como um objeto estático, mas como uma construção social dinâmica. Partindo dessa concepção, os currículos se constituem também como possibilidade.
Dentro da proposta curricular e dos CBCs é necessário que se identifiquem o conhecimento escolar. Que devemos entender por conhecimento escolar? Reiteramos que ele é um dos elementos centrais do currículo e que sua aprendizagem constitui condição indispensável para que os conhecimentos socialmente produzidos possam ser apreendidos, criticados e reconstruídos por todos/as os/as estudantes do país.
Consideramos, ainda, que o conhecimento escolar tem características próprias que o distinguem de outras formas de conhecimento. Ou seja, vemos o conhecimento escolar como um tipo de conhecimento produzido pelo sistema escolar e pelo contexto social e econômico mais amplo, produção essa que se dá em meio a relações de poder estabelecidas no aparelho escolar e entre esse aparelho e a sociedade .
O currículo, nessa perspectiva, constitui um dispositivo em que se concentram as relações entre a sociedade e a escola, entre os saberes e as práticas socialmente construídos e os conhecimentos escolares. Podemos dizer que os primeiros constituem as origens dos segundos. Em outras palavras, os conhecimentos escolares provêm de saberes e conhecimentos socialmente produzidos nos chamados “âmbitos de referência dos currículos”.
Ressaltamos ainda a subordinação dos conhecimentos escolares ao que conhecemos sobre o desenvolvimento humano. Ou seja, os conhecimentos escolares costumam ser selecionados e organizados com base nos ritmos e nas seqüências propostas pela psicologia do desenvolvimento. Cada conteúdo costuma ser ensinado para determinada faixa etária.
É bastante comum, em nossas salas de aula, o esforço do(a) professor(a) por escolher atividades e conteúdos que se mostrem adequados à etapa do desenvolvimento em que supostamente se encontra o(a) aluno(a). Em
muitos casos, a conseqüência é ignorarmos o quanto muitos(as) de nossos(as)
estudantes conseguem “queimar etapas” e aprender, de modo que nos surpreende, conhecimentos que julgávamos acima de seu alcance.
 Para o adolescente familiarizado com as inúmeras possibilidades oferecidas pela internet, o acesso a informações e saberes se faz, freqüentemente, de modo não linear e não gradativo.
Os conhecimentos escolares tendem ainda a se submeter aos ritmos e às rotinas que permitem sua avaliação. Ou seja, tendemos a ensinar conhecimentos que possam ser, de algum modo, avaliados. Mas, é claro, nem todos os conteúdos são avaliados da mesma forma. Os que historicamente têm sido vistos como os mais “importantes” costumam ser avaliados segundo padrões vistos como mais “rigorosos”, ainda que não se problematize quem ganha e quem perde com essa “hierarquia”.
 Chega-se mesmo a aceitar, sem questionamentos, que as vozes de docentes de determinadas disciplinas sejam ouvidas, nos Conselhos de Classe, com mais intensidade que as de docentes de disciplinas em que o processo de avaliação não se centra em provas ou testes escritos.
Concluímos então que os CBCs estão vinculados às habilidades e competências de alunos que precisam se apropriar de conhecimentos escolares. Que estes conhecimentos refletem a relação sociedade/escola, está subordinado ao desenvolvimento humano, a avaliação e às relações de poder na escola.


NEVES, Lúcia Maria Wanderley. Brasil século XXI: propostas educacionais em disputa. In.: LOMBARDI, José Claudinei; SANTELICE, José Luis (orgs.). Liberalismo e educação em debate. Campinas: Autores Associados/Histedbr, 2007.
MINAS GERAIS - Secretaria de Estado de Educação. Novo Plano Curricular – Minas Gerais. Disponível em: http:// www.educacao.mg.gov.br.  Acesso em: 18/11/2009.
ALVES, N. O espaço escolar e suas marcas: o espaço como dimensão material do currículo. Rio de Janeiro: DP&A, 1998.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Inovações curriculares : visão dos professores sobre o CBC

Wellington Gonçalves Barcelos*, Marciana Almendro David, Eliane Ferreira de Sá
Introdução
As mudanças ocorridas na contemporaneidade demandam que as instituições de ensino preparem seus alunos para dar conta de uma sociedade cada vez mais dinâmica e tecnológica. A formação de um sujeito crítico, capaz de exercer plenamente sua cidadania é um dos pressupostos que está presente em todos os discursos pedagógicos da atualidade. E, um dos meios que a escola dispõe para atualizar sua prática pedagógica e a melhoria da qualidade de ensino é através das inovações curriculares.
No entanto, só é possível obter sucesso com as inovações curriculares quando os professores a tenham compreendido e sejam capazes de aplicá-las na sua prática pedagógica. Este trabalho tem como objetivo analisar as possíveis dificuldades apresentadas pelos professores do Estado de Minas Gerais durante a implantação de novas orientações curriculares e de sua apropriação do CBC - Conteúdos Básicos Comuns.
Para alcançar este objetivo, foram utilizados dois instrumentos de coleta de dados: a pesquisa bibliográfica e o questionário. A pesquisa bibliográfica com o objetivo esclarecer os pressupostos básicos do CBC. O questionário foi construído para identificar as concepções dos professores sobre currículo e as possíveis dificuldades apresentadas por eles.  Aanscussão
A análise dos questionários aplicados aos professores nos indica que, ao entrarem em contato com a proposta de inovação curricular, a maioria considera que a falta de suporte pedagógico e o acesso a novos materiais dificulta a implantação de inovações curriculares. Observa-se, também, que não há um consenso no quesito conteúdo do CBC e nem sobre sua completude. Já no quesito domínio do conteúdo, observa-se que este não seja um fator considerado relevante pelos professores pesquisados, na implantação de inovações curriculares. N
A implantação de inovações curriculares gera expectativas e ansiedades tanto para o corpo docente quanto para os alunos/familiares. Acredito que, para os professores, a dificuldade seja maior, pois além de adequar-se a nova proposta curricular eles têm que rever sua prática pedagógica e, ainda, manterem-se atualizados quanto as demandas e os anseios da Secretaria de Educação. Entendemos que as inovações curriculares somente terão sucesso quando forem acompanhadas, com suporte adequado, pelas Secretarias de Educação. Esta afirmativa fica evidente nas respostas obtidas no questionário aplicado aos professores, no qual, foi afirmado, por muitos, que a falta de suporte e o acesso a novos materiais de ensino é um fator significativo na implantação de inovações curriculares. Nota-se, também, que a principal dificuldade dos professores está no que se refere ao conteúdo do CBC. Não há um consenso sobre sua completude. Muitos o consideram extenso, outros incompletos ou ainda dizem que ele apresenta coisas desnecessárias aos alunos. As inovações curriculares poderiam ser construídas no coletivo da comunidade escolar e, dessa forma, serem entendidas como uma proposta coerente e aplicável.

Referências: BRASIL. Ministério da Educação. Parâmetros curriculares nacionais  – Orientações educacionais complementares aos Parâmetros Curriculares Nacionais  MEC.
2 MALDANER, Otavio Aloisio. A formacao inicial e continuada de professores : professores / pesquisadores. 2.ed. rev. Ijui: UNIJUI, 2003
3 MORTIMER, Eduardo Fleury; ROMANELLI, Lilavate Izapovitz;
MACHADO, Andréa Horta .A proposta curricular de Minas Gerais: Fundamentos e Pressupostos,  2000 páginas 273-278.
4 ROMANELLI, Lilavate Izapovitz; DAVID, Marciana Almendro;
LIMA, Maria Emília C.C; SILVA, Penha Souza; MACHADO, Andréa Horta . Conteúdos Básicos Comuns – CBC 2007 .

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Atenção para a noite de sábado.

Pois é colegas está muito boa a nossa "Semana da Bolsa Escrotal Repleta". Mas termina neste final de semana. E para piorar vamos perder uma hora. É isto mesmo, Sábado à noite começa o Horário de Verão e teremos que adiantar nossos relógios em uma hora. Uma a menos... E o pior é ter que ouvir aquelas conversinhas chatas: "Quantas horas?' "No horário novo ou no velho?". Haja bolsa escrotal! 

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Mensagem de Luciano Galo

LUCIANO, SEI QUE ERA APENAS UM COMENTÁRIO, MAS GOSTEI DO TEXTO E TOMEI A LIBERDADE DE PUBLICAR COMO POSTAGEM:


É preciso muita poesia na alma para encarar...
É preciso muita fé no ser humano para suportar...
É preciso muita luta interna para não desanimar...
E é preciso, antes de mais nada, ser um eterno aprendiz para só assim aprender a ensinar!

"Os professores são tão ou mais importantes que os psiquiatras, os juízes e os generais...
Os professores lavram a o solo da inteligência dos jovens para que eles aprendam a ser pensadores...
Para que eles não adoeçam e sejam tratados pelos psiquiatras...
Para que eles não cometam crimes e sejam julgados pelos juízes...
Para que eles não façam guerra e sejam comandados por generais..."

Abraços Luttiano...

quinta-feira, 7 de outubro de 2010



Quem é você? Seu ofício é o amor?
Quem é você professor?Que acumula tantos cargos
Pra dar conta das contas do mês? Que se ocupa em todo horário
E vê sobrar mês no fim do salário?

Todos têm vários cargos. Pais, mães, atores, atrizes
Muitas funções, muitos encargos. Somos tudo prá alguns infelizes
Em toda escola é oficio de amor. Muitas vezes  incondicional
Pequenas almas Jorge Oliva e Monsenhor
Nós somos tudo, exemplo, sinal...

Já choramos em seus casamentos
Já perdemos, pra rua, pras drogas
Já ouvimos segredos, lamentos
Já acreditamos em seus juramentos
  sorrimos  com suas gracinhas
Já juramos nunca mais voltar
Emocionamos com sua carinhas
Aprendemos  todo dia ensinar...

Quem é você professor?
Sabemos quem você é!
Ser teimoso não é pecado
Teimar no oficio do amor
Até que um entenda o recado
E o discípulo seja continuador...


Homenagem de Edinho Poscidônio a todos os colegas que se doam
diuturnamente pela Educação.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

AS MÍDIAS NA EDUCAÇÃO

As mídias na educação

Especialista em projetos inovadores na educação presencial e a distância
Texto do meu livro Desafios na Comunicação Pessoal. 3ª Ed. São Paulo: Paulinas, 2007, p. 162-166.

“A simples introdução dos meios e das tecnologias na escola pode ser a forma mais enganosa de ocultar seus problemas de fundo sob a égide da modernização tecnológica. O desafio é como inserir na escola um ecossistema comunicativo que contemple ao mesmo tempo: experiências culturais heterogêneas, o entorno das novas tecnologias da informação e da comunicação, além de configurar o espaço educacional como um lugar onde o processo de aprendizagem conserve seu encanto”.
Jesús Martín Barbero [1]

As mídias educam
Estamos deslumbrados com o computador e a Internet na escola e vamos deixando de lado a televisão e o vídeo, como se já estivessem ultrapassados, não fossem mais tão importantes ou como se já dominássemos suas linguagens e sua utilização na educação.
A televisão, o cinema e o vídeo, CD ou DVD - os meios de comunicação audiovisuais - desempenham, indiretamente, um papel educacional relevante. Passam-nos continuamente informações, interpretadas; mostram-nos modelos de comportamento, ensinam-nos linguagens coloquiais e multimídia e privilegiam alguns valores em detrimento de outros.
 A informação e a forma de ver o mundo predominantes no Brasil provêm fundamentalmente da televisão. Ela alimenta e atualiza o universo sensorial, afetivo e ético que crianças e jovens – e grande parte dos adultos - levam a para sala de aula. Como a TV o faz de forma mais despretensiosa e sedutora, é muito mais difícil para o educador contrapor uma visão mais crítica, um universo mais  mais abstrato, complexo e na contra-mão da maioria como a escola se propõe a fazer.
A TV fala da vida, do presente, dos problemas afetivos - a fala da escola é muito distante e intelectualizada - e fala de forma impactante e sedutora - a escola, em geral, é mais cansativa, concorda?. O que tentamos contrapor na sala de aula, de forma desorganizada e monótona, aos modelos consumistas vigentes, a televisão, o cinema, as revistas de variedades e muitas páginas da Internet o desfazem nas horas seguintes. Nós mesmos como educadores e telespectadores sentimos na pele a esquizofrenia das visões contraditórias de mundo e das narrativas (formas de contar) tão diferentes dos meios de comunicação e da escola.
Percebeu que na procura desesperada pela audiência imediata e fiel, os meios de comunicação desenvolvem estratégias e fórmulas de sedução mais e mais aperfeiçoadas: o ritmo alucinante das transmissões ao vivo, a linguagem concreta, plástica, visível?. Mexem com o emocional, com as nossas fantasias, desejos, instintos. Passam com incrível facilidade do real para o imaginário, aproximando-os em fórmulas integradoras, como nas telenovelas.
Em síntese, os Meios são interlocutores constantes e reconhecidos, porque competentes, da maioria da população, especialmente da infantil. Esse reconhecimento significa que os processos educacionais convencionais e formais como a escola não podem voltar as costas para os meios, para esta iconosfera tão atraente e, em conseqüência, tão eficiente. A maior parte do referencial do mundo de crianças e jovens provém da televisão. Ela fala da vida, do presente, dos problemas afetivos - a escola é muito distante e abstrata - e fala de forma viva e sedutora - a escola, em geral, é mais cansativa.
As crianças e jovens se acostumaram a se expressar de forma polivalente, utilizando a dramatização, o jogo, a paráfrase, o concreto, a imagem em movimento. A imagem mexe com o imediato, com o palpável. A escola desvaloriza a imagem e essas linguagens como negativas para o conhecimento. Ignora a televisão, o vídeo; exige somente o desenvolvimento da escrita e do raciocínio lógico. É fundamental que a criança aprenda a equilibrar o concreto e o abstrato, a passar da espacialidade e contigüidade visual para o raciocínio seqüencial da lógica falada e escrita. Não se trata de opor os meios de comunicação às técnicas convencionais de educação, mas de integrá-los, de aproximá-los para que a educação seja um processo completo, rico, estimulante. A escola precisa observar o que está acontecendo nos meios de comunicação e mostrá-lo na sala de aula, discutindo-o com os alunos, ajudando-os a que percebam os aspectos positivos e negativos das abordagens sobre cada assunto.
Precisamos, em conseqüência, estabelecer pontes efetivas entre educadores e meios de comunicação. Educar os educadores para que, junto com os seus alunos, compreendam melhor o fascinante processo de troca, de informação-ocultamento-sedução, os códigos polivalentes e suas mensagens. Educar para compreender melhor seu significado dentro da nossa sociedade, para ajudar na sua democratização, onde cada pessoa possa exercer integralmente a sua cidadania.
Em que níveis pode ser pensada a relação Comunicação, Meios de Comunicação e Escola? Entendemos que esta pode ser pensada em três níveis:
1.      organizacional
2.      de conteúdo
3.      comunicacional
- no nível organizacional: uma escola mais participativa, menos centralizadora, menos autoritária, mais adaptada a cada indivíduo. Para isso, é importante comparar o nível do discurso - do que se diz ou se escreve - com a práxis - com as efetivas expressões de participação.
- no nível de conteúdo: uma escola que fale mais da vida, dos problemas que afligem os jovens. Tem que preparar para o futuro, estando sintonizada com o presente. É importante buscar nos meios de comunicação abordagens do quotidiano e incorporá-las criteriosamente nas aulas.
- no nível comunicacional: conhecer e incorporar todas as linguagens e técnicas utilizadas pelo homem contemporâneo. Valorizar as linguagens audiovisuais, junto com as convencionais.
Tem-se enfatizado a questão do conhecimento como essencial para uma boa educação. É básico ajudar o educando a desenvolver sua(s) inteligência(s), a conhecer melhor o mundo que o rodeia. Por outro lado, fala-se da educação como desenvolvimento de habilidades: "Aprender a aprender", saber comparar, sintetizar, descrever, se expressar.
Desenvolver a inteligência, as habilidades e principalmente, as atitudes. Ajudar o educando a adotar atitudes positivas, para si mesmo e para os outros. Aqui reside o ponto crucial da educação: ajudar o educando a encontrar um eixo fundamental para a sua vida, a partir do qual possa interpretar o mundo (fenômenos de conhecimento), desenvolva habilidades específicas e tenha atitudes coerentes para a sua realização pessoal e social. [[Ver o capítulo A comunicação na educação do livro Mudanças na comunicação pessoal de José Manuel Moran, São Paulo, Paulinas, 2000, páginas, 155-166]].
A transmissão de informação é a tarefa mais fácil e onde as tecnologias podem ajudar o professor a facilitar o seu trabalho. Um simples CD-ROM contém toda a Enciclopédia Britânica, que também pode ser acessada on line pela Internet. O aluno nem precisa ir a escola para buscar as informações. Mas para interpretá-las, relacioná-las, hierarquizá-las, contextualizá-las, só as tecnologias não serão suficientes. O professor o ajudará a questionar, a procurar novos ângulos, a relativizar dados, a tirar conclusões.
Que outras contribuições as tecnologias podem dar ao professor? As tecnologias também ajudam a desenvolver habilidades, espaço-temporais, sinestésicas, criadoras. Mas o professor é fundamental para adequar cada habilidade a um determinado momento histórico e a cada situação de aprendizagem.
As tecnologias são pontes que abrem a sala de aula para o mundo, que representam, medeiam o nosso conhecimento do mundo. São diferentes formas de representação da realidade, de forma mais abstrata ou concreta, mais estática ou dinâmica, mais linear ou paralela, mas todas elas, combinadas, integradas, possibilitam uma melhor apreensão da realidade e o desenvolvimento de todas as potencialidades do educando, dos diferentes tipos de inteligência, habilidades e atitudes.
As tecnologias permitem mostrar várias formas de captar e mostrar o mesmo objeto, representando-o sob ângulos e meios diferentes: pelos movimentos, cenários, sons, integrando o racional e o afetivo, o dedutivo e o indutivo, o espaço e o tempo, o concreto e o abstrato.
A educação é um processo de construção da consciência crítica. Como então se dá esse processo? Essa construção começa com a problematização dos dados que nos chegam direta e indiretamente - através dos meios, por exemplo - recontextualizando-os numa perspectiva de conjunto, totalizante, coerente, um novo texto, uma nova síntese criadora. Essa síntese integra os dados tanto conceituais quanto sensíveis, tanto da realidade quanto da ficção, do presente e do passado, do político, econômico e cultural. Falamos assim, de uma educação para a comunicação. Uma educação que procura ajudar as pessoas individualmente e em grupo a realizar sínteses mais englobantes e coerentes, tomando como partida as expressões de troca que se dão na sociedade e na relação com cada pessoa; ajudar a entender uma parte dessa totalidade a partir da comunicação enquanto organização de trocas tanto ao nível interpessoal como coletivo.
A educação para a comunicação precisa da articulação de vários espaços educativos, mais ou menos formais: educação ao nível familiar, trabalhando a relação pais-filhos-comunicação, seja de forma esporádica ou em momentos privilegiados, em cursos específicos também. A relação comunicação-escola, uma relação difícil e problemática, mas absolutamente necessária para o enriquecimento de ambas, numa nova perspectiva pedagógica, mais rica e dinâmica. Comunicação na comunidade, analisando os meios de comunicação a partir da situação de uma determinada comunidade e interpretando concomitantemente os processos de comunicação dentro da comunidade. Educação para a comunicação é a busca de novos conteúdos, de novas relações, de novas formas de expressar esses conteúdos e essas relações.
A escola precisa exercitar as novas linguagens que sensibilizam e motivam os alunos, e também combinar pesquisas escritas com trabalhos de dramatização, de entrevista gravada, propondo formatos atuais como um programa de rádio uma reportagem para um jornal, um vídeo, onde for possível. A motivação dos alunos aumenta significativamente quando realizam pesquisas, onde se possam expressar em formato e códigos mais próximos da sua sensibilidade. Mesmo uma pesquisa escrita, se o aluno puder utilizar o computador, adquire uma nova dimensão e, fundamentalmente, não muda a proposta inicial.

Integrar as mídias na escola
Antes da criança chegar à escola, já passou por processos de educação importantes: pelo familiar e pela mídia eletrônica. No ambiente familiar, mais ou menos rico cultural e emocionalmente, a criança vai desenvolvendo as suas conexões cerebrais, os seus roteiros mentais, emocionais e suas linguagens. Os pais, principalmente a mãe, facilitam ou complicam, com suas atitudes e formas de comunicação mais ou menos maduras, o processo de aprender a aprender dos seus filhos.
A criança também é educada pela mídia, principalmente pela televisão. Aprende a informar-se, a conhecer - os outros, o mundo, a si mesmo - a sentir, a fantasiar, a relaxar, vendo, ouvindo, "tocando" as pessoas na tela, que lhe mostram como viver, ser feliz e infeliz, amar e odiar. A relação com a mídia eletrônica é prazerosa - ninguém obriga - é feita através da sedução, da emoção, da exploração sensorial, da narrativa - aprendemos vendo as estórias dos outros e as estórias que os outros nos contam.
Mesmo durante o período escolar a mídia mostra o mundo de outra forma - mais fácil, agradável, compacta - sem precisar fazer esforço. Ela fala do cotidiano, dos sentimentos, das novidades. A mídia continua educando como contraponto à educação convencional, educa enquanto estamos entretidos.
A educação escolar precisa compreender e incorporar mais as novas linguagens, desvendar os seus códigos, dominar as possibilidades de expressão e as possíveis manipulações. É importante educar para usos democráticos, mais progressistas e participativos das tecnologias, que facilitem a evolução dos indivíduos. O poder público pode propiciar o acesso de todos os alunos às tecnologias de comunicação como uma forma paliativa, mas necessária de oferecer melhores oportunidades aos pobres, e também para contrabalançar o poder dos grupos empresariais e neutralizar tentativas ou projetos autoritários.
Se a educação fundamental é feita pelos pais e pela mídia, urgem ações de apoio aos pais para que incentivem a aprendizagem dos filhos desde o começo das vidas deles, através do estímulo, das interações, do afeto. Quando a criança chega à escola, os processos fundamentais de aprendizagem já estão desenvolvidos de forma significativa. Urge também a educação para as mídias, para compreendê-las, criticá-las e utilizá-las da forma mais abrangente possível.
A educação para os meios começa com a sua incorporação na fase de alfabetização. Alfabetizar-se não consiste só em conscientizar os códigos da língua falada e escrita, mas dos códigos de todas as linguagens do homem atual e da sua interação. A criança, ao chegar à escola, já sabe ler histórias complexas, como uma telenovela, com mais de trinta personagens e cenários diferentes. Essas habilidades são praticamente ignoradas pela escola, que, no máximo, utiliza a imagem e a música como suporte para facilitar a compreensão da linguagem falada e escrita, mas não pelo seu intrínseco valor. As crianças precisam desenvolver mais conscientemente o conhecimento e prática da imagem fixa, em movimento, da imagem sonora ... e fazer isso parte do aprendizado central e não marginal. Aprender a ver mais abertamente, o que já estão acostumadas a ver, mas que não costumam perceber com mais profundidade (como os programas de televisão).
Antes de pensar em produzir programas específicos para as crianças, convém retomar, estabelecer pontos com os produtos culturais que lhes são familiares. Fazer re-leituras dos programas infantis, re-criação desses mesmos programas, elaboração de novos conteúdos a partir dos produtos conhecidos. Partir do que o rádio, jornal, revistas e televisão mostram para construir novos conhecimentos e desenvolver habilidades. Não perder a dimensão lúdica da televisão, dos computadores. A escola parece um desmancha-prazeres. Tudo o que as crianças adoram a escola detesta, questiona ou modifica. Primeiro deve-se valorizar o que é valorizado pelas crianças, depois procurar entendê-lo (os professores e os pais) do ponto de vista delas, crianças, para só mais tarde, propor interações novas com os produtos conhecidos. Depois podem-se exibir programas adaptados à sua sensibilidade e idade, programas que sigam o mesmo ritmo da televisão, mas que introduzam alguns conceitos específicos que, aos poucos, irão sendo incorporados.




[1] Jesús MARTÍN BARBERO. Heredando el Futuro.Pensar la Educación desde la Comunicación, in Nómadas, Boggotá, septiembre de 1996, n. 5, p. 10-22.


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Tem Poesia na Matemática

Tema transversal: Desigualdade Social